sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Vamos passear?


"Quero brincar!"

A Mila ainda não tá falando. Quer dizer, tá falando mais que os pais, que são mais (Alê) ou menos (eu) quietos. Só que ninguém entende! A não ser o priminho Breno...

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Na verdade, ela já fala "neném", o clássico "mamãe" e..."não!" (assim mesmo, com exclamação). Mas se já soubesse comunicar certinho o que ela quer, com certeza pediria pra voltar nesses lugares:



Arturzinho já querendo ganhar a Mila com seu carrinho...








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terça-feira, 8 de novembro de 2016

80 & tal




Que eu me lembre, começamos a pegar onda em 86. Eu e meus irmãos, sempre os três juntos.

Donos recentes de um apartamento no Guarujá, viajávamos pra lá quase todo fim de semana com a ideia fixa de virar surfista.

Parecer surfista, pelo menos, já tava bom e pra isso ganhamos do nosso "paitrocinador" as nossas pranchinhas pra entrar de cabeça nessa tribo. Lembro que minha prancha custou 1200, a do Fê 1350 e a do Jú, um belo dum canhão amarelo cheio de colchão, 800 cruzados! Acho que eram mais ou menos esses os preços das pranchas semi-novas compradas na Star Point, em Moema. Se bobear, lembro até do cheiro da parafina (com mel) que compramos naquela tarde.

Pra aprender, ficamos então um dia inteirinho na Praia das Astúrias tentando ficar em pé na prancha. No fim do dia, os três com joelhos sangrando (além de várias outras escoriações pelo corpo), conclui  que era um esporte legal mas parecia um pouco perigoso demais pra gente. Mesmo assim fiquei felizão e empolgado depois de finalmente conseguir ficar em pé numa onda pouco visível pois já tava quase de noite. 
Fui dormir realizado.





O surf tava começando a sair da marginalidade e ganhar holofotes. Nada comparado a hoje, quando temos nele além de tudo, também uma consciência ecológica, aprendendo sobre poluição e meio ambiente, correntezas e segurança no mar. Club sandwich, rock'r'roll, lay back, alley oop, reverse com double grab, nada disso tinha o sentido que tem hoje. Floater era a inovação e Martin Potter nosso ídolo!

Essa vontade de ser surfista me veio pela primeira vez anos antes, em São Vicente, onde passávamos férias com a família dos meus tios. Certo dia pintou um casal amigo deles pra passar a noite por lá pois estavam viajando pelo litoral ou algo assim. O cara trazia sua prancha quando chegou junto com sua namorada e ficou trocando ideia com todos nós durante a noite, zarpando no dia seguinte. Lembro que ele se chamava Fernando e a mina dele era bem gata. Fiquei encantado com o desprendimento deles, chegando numa casa já lotada, com uma prancha a tira colo, pra passar somente uma noite e seguir viagem depois atrás de ondas pelo litoral. Isso me fisgou e ali mentalizei que queria ser assim um dia, ter uma prancha assim e, lógico, ter uma namorada assim.

Fomos aprendendo com o tempo e com os caldos, inúmeros. Mas sempre com muito humor e uma brisa  leve e boa entre nós.

Depois que já sabíamos dropar e seguir parede, foram incontáveis mares bons e ruins nas costas, tartarugas no outside e até água viva entrando no short john. Muita provocação de caiçara, bate-boca e o crowd sempre aumentando já que rolava o boom do surf no Brasil, com a volta do circuito mundial ao país no Hang Loose Pro Contest, em Floripa. Dona Glória vivia dizendo que naquele monte de cabecinhas na água, três eram dela!

Minha prancha, uma triquilha 6"2"com a marca Tuba, embora não tivesse muita flutuação era muito rápida e assobiava(!!), fazendo um zunido inesquecível quando eu dropava ondas maiores. Era legal ouvir esse som que eu não sabia exatamente de onde vinha, mas eu ouvia. Flutuação era o que não faltava na prancha do Jú, que a gente chamava de barco pois era uma Hot Gust bem grossa, com a rabeta toda arrebentada. Já a Op azul do Fê, shape do Paulo Rabello, tinha como característica principal ser uma "casca de ovo", ou seja, qualquer joelhada já deixava um amassão nela e a gente vivia tirando o barato por causa disso.

Fê no mais puro estilo Pedro "Águia" Muller


Não tínhamos compromisso com nada. Em Sampa, durante a semana, era só estudar (naquelas), jogar futebol e montar a nossa rede de vôley na rua pra passar a tarde toda jogando. Rock brasuca nascendo junto com o Rock in Rio acontecendo no RJ. Época também do New Wave e da galera Dark. Ginástica Aeróbica na praia com música do Oingo Boingo. Nossas musas, Márcia Porto, Luma de Oliveira, Magda Cotrofe, Xuxa e Luíza Brunet estampando todas as capas de revistas das bancas. 

Acordávamos muito cedo pra surfar já que não éramos de sair na balada e só pensávamos no mar. Lógico que queríamos ficar bons pra fazer pressão pras minas da colônia de férias do Banespa mas a gente era muito tímido, mané de tudo. Imagina o Verão da Lata rolando e nem beber cerveja a gente bebia...


Douglas, outro brother aposentado...


Era o dia inteiro no mar. Pegávamos tanta onda que ao fechar os olhos, por exemplo no banho depois da praia, automaticamente víamos ondas se formando nos nossos pensamentos! É lôco mas rolava isso com a gente.



Grandes mares

Um dia muito especial e que ficou marcado pra mim foi um 12 de março, talvez de 87 ou 88, quando rolou uma ressaca monstro e, com o Tombo insurfável, todos os surfistas estavam pegando onda nas Astúrias, com a galera entrando pelas pedras da Galhetas. Era um mar clássico, com até 3 metros de onda plus (ouvi neguinho dizer que deu 10 pés). Ficamos só pelo inside já que tava gigantão e não dava pra gente descer as morras sem atropelar alguém. Seria "slalom" puro e não tínhamos toda essa habilidade. A praia já não existia e as ondas estavam quase invadindo o calçadão! Que momento.

Nesses dias de ressaca, outra tarde inesquecível foi no Tombo. Não éramos super habilidosos e cheios de manobras no pé mas já tínhamos a segurança pra enfrentar mar grande e crowd caiçara gritando "ó eu!" na nossa orelha. "Vai fazer castelinho na areia, seus pregos" também ouvíamos bastante mas fazíamos que não era com a gente. Nesse dia, também estavam no mar pegando onda junto com a gente (ou seria o contrário?) vários surfistas profissionais, como Tinguinha, Jojó de Olivença e os irmãos do Tombo, Neno, Amaro e o Paulo do Tombo.
Nunca vou esquecer que o Paulinho jamais ia na primeira onda da série... A gente tava lá sossegadão na calmaria e quando pintava a série todo mundo saía remando senão pra pegar, pelo menos pra não tomar um vagalhão na cabeça. Tinha que estar sempre atento. Em várias dessas séries, lembro do Paulinho, que era campeão brasileiro na época, varar a primeira e a segunda buscando sempre aquela maior, a "rainha" da série. Pegava muito.

Nada supera minha habilidade e cara de pau em criar...manobras em ondas difíceis como essa


Nessa época, costumava me orgulhar de apenas uma vez não ter conseguido varar uma rebentação, em outro dia de ressaca, perto do Monduba, nas Pitangueiras. Devo ter nadado o equivalente ao Canal da Mancha mas não teve jeito de passar e desisti.

Dá uma saudade daqueles tempos e hoje fico aqui pensando se ainda voltaremos a fazer um free surf juntos... Não perco a fé. O surf já foi uma conexão muito grande entre nós e ainda é pra mim. Ele nos conecta profundamente com vários elementos confeccionando uma teia de energia fortíssima! A amizade, a natureza local, o clima, o oceano, suas marés e seus seres...Tá tudo lá. Surf é conexão!



Mas deu vontade mesmo de escrever sobre aqueles dias depois de assistir a série 80 & tal, do Canal Off.


É assistir e viajar no tempo.


Boas ondas!
Sempre.








sábado, 22 de outubro de 2016

Primeiras reflexões


"Completo hoje 17 meses por aqui, nesse lugar novo.
Novo porque o antigo era bem diferente, mais escuro e quentinho.

Me tiraram de lá num dia pra lá de esquisito, no meio da madrugada, onde me deparei com mil novidades! Assim que saí, cortaram meu umbigo, pintaram meus pés e mãos, assim do nada, e ainda me colocaram peladona numa balança pra saber meu peso. Fazia um frio incrível! Nunca tinha sentido isso antes. Mas logo me enrolaram com uma roupa azul e me puseram no colo da minha mãe, que inclusive era a dona do lugar onde eu tava morando antes, aquele escuro e quentinho. Ela tava emocionada e também assustada. Só que ao me ver, pude sentir que ficou aliviada. E eu também.

Ao lado dela, nem aí pra nada disso, tinha o meu pai. Ele me parecia calmo e tranquilo feito água de poço, tirando fotografia com um aparelho na mão e que hoje em dia eu acho muito legal pois dá também pra falar com os outros e colocar desenho pra eu ver. É um tal de celular, que todas as pessoas grandes usam toda hora. Simpatizei com ele também.

Depois dessa epifania toda, fiquei alguns dias num quarto com meus pais recebendo visitas daqueles que, depois eu viria saber, eram minha família! Dali recebi alta e fui morar (de novo) com meus pais na casa deles, nesse lugar novo.
E caí numa família que gosta muito de mim, eu desconfio. Estão sempre se preocupando com minhas estripulias, apertando minhas coxas, me dando amor, banho e me alimentando constantemente. Ou, muitas vezes, tentando me alimentar...

É que nem sempre quero comer, sabe. E agora que tenho umas coisinhas brancas e duras nascendo na minha boca, coça pra chuchu e aí é que eu não faço questão mesmo.

"Ai, que vida drury's..."

Acontece que vi que meu pai escreve algumas coisas aqui nesse aparelho. Então decorei sua senha e tomei a liberdade de escrever também minhas primeiras reflexões.

O meu dia não é nada fácil, apesar de parecer simples já que sou uma mini pessoa de fraldas ainda e nem tenho tantas preocupações quanto as pessoas maiores.

Acordo quase sempre no berço.
Bem, na verdade, desde que tive uma virose que peguei do meu pai e vomitei durante a noite alagando todo meu berço, notei que tenho tido a licença pra choramingar à noite até acordar na cama de casal deles. Parece mágica! Tá certo que já sarei faz tempo e agora me aproveito da situação pra ficar mais aconchegada com eles mas, afinal de contas, ainda não tenho a capacidade de argumentar pois nem falar eu sei ainda! Melhor choramingar...

E eu choramingo bem, modéstia à parte. Já fui pior, hoje em dia estou melhorando. Já dei muito piti à toa sem nem mesmo eu saber exatamente o motivo, deixando minha mãe beeem estressada comigo. Sei disso porque convivo bastante com ela, o dia inteirinho e sei quando ela tá estressada. O olho dela treme! Aí eu choramingo mesmo até ela estressar, tremer o olho e descobrir o que eu quero. Mas não faço por mal. Eu amo essa minha mãe muito! Mas é como eu disse, não consigo argumentar (ainda).

O meu pai é mais tranquilo. Avoado que só ele. Tem aí um lado bom pois com ele eu só brinco e ele nem lembra de me trocar a fralda (que dá um trabalhão e passo frio) ou me prender na cadeirinha pra encher minha boca de comida. Gosto muito dele também e acho que estou aprendendo a demonstrar isso pra eles.


Gosto de abraçá-los. Beijar não sei ainda mas gosto de abraçá-los...

Depois de acordar no berço ou na cama deles, às vezes fico vendo a Peppa Pig ou o Show da Luna pra eles dormirem um pouquinho mais. Nessas horas, tenho que admitir que até esqueço que tô com fome pois fico hipnotizada com esses desenhos.

Depois que minha mãe me "amarra" na cadeira pra me alimentar, fico brincando com meus potinhos, bolas e lógico, os armários da cozinha que na verdade são os mais legais de brincar. Faço um pouco de Parkour também subindo nas cadeiras e no sofá pra descer escorregando depois. É bem divertido, mas o olho da minha mãe treme.

Muitas vezes, lá pelo meio-dia, meu pai cisma de me levar pra passear no carrinho pelo condomínio. Eles dizem que é pra eu nanar e tals e eu nem tô com sono! Só que putz, dá um sono o passeio dele. Não duro três voltas no prédio até eu desabar de cansaço.

Daí em diante é a vez dos meus pais praticarem esporte, o Tai Chi Chuan, andando na pontinha dos pés com movimentos bem lentos e ritmados a fim de não me acordarem. Isso até que minha bateria esteja recarregada e eu acorde sozinha dizendo "Uhh!".

Eles no Tai Chi, eu no Parkour...o importante é praticar esportes!

Durante as tardes, fico grudadinha com a minha mamãe e às vezes vou na casa dos meus avós (que me adoram tanto quanto eu) pra brincar com meu primo mais divertido, o Breno. Ele me faz rir tanto, mas tanto que até fico com dor na barriga.

À noite, meu pai volta não sei de onde e quando nos reencontra dá sempre um sorrisão gostoso que só não é maior que o da minha mãe, que com o olho tremendo, sempre diz pra ele: "Ufa, que bom que vc chegou".

Quanta saudade... Ela deve gostar muito dele, eu acho.

Antes de dormir tem a parte do banho, que meu pai chama de SPAiva pois tem massagem no meu courinho cabeludo, banho morno, reflexologia e sempre uma musiquinha de fundo. Hoje em dia eu gosto bastante disso e quase nunca eu choro.
Às vezes esse banho acontece de manhã, depois do meu cocô das 11 hs, que é batata, faço logo depois que minha mãe trocou minha fralda.

Não sei porque isso acontece, só sei que é assim.

Se não esqueci nada (ainda tô construindo minha memória), depois de tudo isso minha mãe prepara uma mamadeira delícia e me leva pro quarto do berço pra (tentar) me fazer dormir. Tadinha, ela fica com mais sono do que eu mas chega uma hora ou duas que eu também caio no sono e ela me deixa no berço, abandonada de tudo...snif!

Até eu choramingar novamente... ; )

Ass.: Mila Valéria"